sexta-feira, dezembro 23, 2005

O Adeus aos Bacalhoeiros

Meninos,

Já jantei (fui a casa dos outros tugas jantar; recebi uma mensagem mesmo quando acabei o poste anterior, referente ao exame do Almassy),

fui até ao Simpla Kert beber um copo (uma cola, porque tenho que baixar a média de consumo de alcool... e nao ia escrever aqui neste prestigiado blog com algum teor alcoolico, por mais minimo que fosse) e

despachei a gaja.

Ainda á pouco, quando me despedia do pessoal no Simpla Kert, recebi uma reprimenda de um outro tuga, referente ao meu regresso a casa tao cedo (sai de lá pelas zero horas e trinta minutos)... mas o que é certo é que também preciso de descanso, de sair fora da rotina diária (ou melhor dizendo, rotina nocturna) e de escrever nao só para voces, mas tambem para mim, entre estes textos que vos mostro e outros que guardo só para mim.
A piada é receber este tipo de reprimendas vindas de certos rapazolas que nao sabem da missa a meio...

Desde o exame do Almassy até ao dia de hoje muita coisa aconteceu, mas o que posso e quero contar aqui é sobre a desinteressante noite organizada pelos mentores - a festa de despedida - e sobre a festa dos bacalhoeiros, na passada segunda-feira.

Para nao variar, a festa de despedida organizada pelos mentores, no edificio R da universidade, foi muito pobrezinha. Ó pá, os gajos até se esforçam... mas falta sempre ambiente naquelas festas no edificio R.
Para comecar faltam sempre gajas, claro. A festa é só para os erasmus daquela universidade (técnica) e como de costume o gaijedo nao tem muito gosto em tirar cursos de engenharia... mas há sempre as agradáveis excepcoes. Depois o pessoal mete-se sempre em alguns grupos meios fechados, e claro, os espanhois no seu grupo completamente fechado (claro, sempre com agradaveis excepcoes). Copo atrás de copo e é ver os sujeitos (nada suspeitos) do costume a comecar a fazer merda... mas pronto, ha sempre as agradaveis excepcoes que dá para um gajo se rir.
Como o ambiente da festa estava tao bom quanto o de um velório, o pessoal comecou a dar corda aos sapatos.
O mesmo pessoal de sempre, a irem para os mesmos sitios de sempre, para beberem a mesma coisa de sempre, e acabarem a noite sempre da mesma maneira... para mim isso nao da, por isso optei pela saida alternativa, menos popular, mas com quem sabe o que quer. Para surpresa das surpresas um dos bacalhoeiros decidiu vir connosco, abandonando a habitual formacao “quatro em linha”.
Fomos ate ao “cha-cha-cha”, um bar que fica numa paragem de metro... ai a noite foi altamente, curti mesmo à brava. No dia seguinte é que nao curti, porque reparei que ou perdi ou me gamaram a minha ultima nota de dez mil forints (em dinheiro isso dá qualquer coisa como quarenta euros), e entao desde ai ja ando a ser financiado pelo amigo Viana...
Conclusao: contas á parte, foi fixe.
O fim de semana tambem foi á maneira, com algumas visitas dos grego ao nosso apartamento para se fazer qualquer coisa... mas sem grandes resultados, porque o gajo é agora a unica locomotiva que puxa o trabalho para a frente, eu e o amigo Viana nao damos uma pá caixa, ultimamente. Bem, e nesta semana o grego veio ca varias vezes, mas muita coisa falhou, e só temos que lhe agradecer pelo que já nos ajudou... por isso o Paival vai ter que esperar para janeiro para por a vista em cima dos nossos projectos...

Mas estou aqui para falar das coisas que merecem, e nao de projectos mexerucos (o Paival merece, claro, mas o projecto nao...)

Por isso vou ja falar da festa do “adeus aos bacalhoeiros”.

Os bacalhoeiros decidiram fazer (e fizeram) uma festa de despedida, pois vazaram definitivamente de Budapest, tendo terminado o seu periodo de intercambio.
Entao convidaram algum pessoal “mais proximo” para um jantar antes da festa no seu apartamento, no seu restaurante favorito...
Eu fui convidado, e apos consultar o meu patrocinador Viana (que disse que havia condicoes para aprovar o crédito de que eu necessitava) respondi afirmativamente ao convite.
Que rombo financeiro que ia levar, pensei eu... bacalhoeiros, com o seu poder economico... restaurante favorito (nestas coisas as meninas tratam-se bem, ou melhor, tratavam-se, porque ja voltaram á fria noruega, onde vivem com uma qualidade que nao sei se igualará a de um comum estudante portugues...) situado num local onde estao localizados os melhores e mais dispendiosos restaurantes de Budapest...

O jantar correu bem, comi á maneira, bebi com qualidade, e no fim a “dolorosa” nao foi tao mau quanto isso. Paguei 3500 forints, qualquer coisa como 14 euros... nao foi muito mau, pois eu ja estava preparado para ver mais zeros na conta...
Terminado o jantar rumamos ao apartamento das gajas.
Estavam bem preparadas para receber o pessoal, com umas batatinhas fritas, uns salgadinhos e bolachinhas, entre outras coisas. E, como é obvio, uma grande quantidade de bebidas.
Os ramadoes do costume lá comecaram a encanar fortemente, e o ambiente estava muito fixe. A sensação de despedida, de saber que muitos de nós nunca mais nos vamos ver, contribuiu para o bom ambiente, com troca de contactos e conversas bonitas.
A festa estava mesmo bacana, mas tem que haver sempre uns morcoes a foder tudo... se dessa vez os morcoes nao estava lá dentro, no apartamento, a participar na festa, vieram de fora. Uns estudantes de medicina estavam a estudar, num apartamento que fica no mesmo piso, mas nem sequer é contiguo ao apartamento em que a derradeira festa se realizava. O barulho nao era nada de especial, mas eles viram pela janela que havia festa, e sentiram-se tao mal por terem que estudar e verem o povo a divertir-se que foram logo fazer queixinhas. Depois ameacaram com a moina, e para isso nao ha resposta, por isso abalou-se dali pra fora, com os borrachoes dos filandeses a emborcarem tudo o que havia de pénalti, para nao se desperdiçar nada...


Lá saimos do apartamento, e fomos ate a praceta proxima dali para se pegar num taxi.
Ja estava muito povo distribuido pelos taxis, e quase tudo a entrar quando os segurancas do “mercado de natal” vieram a correr e agarraram num moço que fazia parte do nosso grupo.
Um “mercado de natal” é simplesmente um amontoado sazonal de barraquinhas em madeira, ao estilo das que se pode ver nalguns tipos de feiras populares ou feiras medievais, que vendem todo o tipo de tralhas po pessoal comprar e oferecer no natal. Entre as referidas barraquinhas, deste mercado de natal, havia uns enfeites, que consistiam de umas catenarias com uns lacinhos e sininhos e todo o tipo desses enfeites natalicios. O referido moço que foi apanhado la pelos segurancas cometeu o estupido erro de oartir umas dessas “cordas” de enfeite, e entao os morcoes dos segurancas ja estavam prontos para foder o gajo, chamar a moina e nao sei-que-mais...
Eu vi os segrancas a pegar no gajo e a levarem-no la po meio do mercado, para uma zona mais recondita, e a falarem so em hungaro... e ainda empurrarm uma gaja que la estava connosco... como é obvio nao é coisa agradavel de se ver, ainda para mais porque a resposta dos segurancas foi notoriamente desproporcionada. O gajo efectivamente fodeu aquela merda, mas tava a dizer que nao, e nao sei que mais... so a arranjar mais sarilhos. Entao os filandeses rasparam-se. Pa, quatro gajos, alguns com cortiço, para se a coisa com os segurancas nao corresse da melhor forma poderem por ao menos as gajas a salvo (aqui os bicharocos nao respeitam nem as gajas...).
Burros como cepos, os segurancas nao percebiam nada do que diziamos, mesmo quando trouxemos um hungaro que estava connosco para traduzir tudo, explicar a situacao e perguntar pelas consequencias...
Entao finalmente decidiram-se: das duas uma, ou reparavamos os estragos, ou chamavam a moina. Nao aceitavam dinheiro para reparar os estragos.
Chamar a moia estava fora de questao, porque todos nós estavamos com alcool no sangue, uns mais do que outros, e ate havia povo sem identificacao na altura, para piorar as coisas, caso a moina viesse.
Entao como nao havia mais nada a fazer, meteu-se maos a obra. Ou quase, porque a primeira tentativa de reparar o estrago foi infritifera. O cabo que estava partido era constituido por elos, de aco, mas com algumas ligacoes que ainda agora nao percebo, porque tinha uns arames la para o meio, e foi isso que fodeu tudo, porque nao adinta ter uns elos de aço se depois tambem tem lá uns aramezinhos a prender aquilo...
Dada a situacao ser dificil, de entre as 14 (catorze!!!) pessoas que lá havia fez-se uma equipa de trabalho. Como o pessoal é desenrascado que se farta, tive que ser eu a por as coisas a andar prá frente. Uns gajos pegaram-me em ombros e eu tentei conectar os elos, mas era preciso fazer muita forca...

Entao “bota energia nesses braços Toni”, e junta essa merda... mostra o que um tuga vale cárálho... o povo comecou a puxar por mim, a cantar “Antonio... Antonio...” e la me veio a pujança toda e juntei aquela merda. Mas foda-se, a qualidade daquilo é mesmo rafeira, e entao com a força que fiz a tensao do cabo excedeu o limite e aquilo partiu-se noutro sitio. Agora tinhamos o cabo partido em tres.
Calma pessoal, vamos la ver como se desenrasca isto... o hungaro-tradutor tambem se juntou a equipa, e entao os dois em conjunto delineamos uma solucao para aquela merda.
Antes de mais eram precisas condicoes de trabalho, por isso fomos buscar um caixote do lixo, daqueles grandes, com rodas, para servir de andaime. Perfeito, sacamos uma merda daquelas e a altura era perfeita...
Primeiro remendamos a seccao que se tinha partido em segundo lugar, porque era so conectar dois elos, e depois seguimos para reparar a seccao que o outro moço tinha partido, que era um bicalho, porque nao sei como estava mesmo tudo partido, faltavam montes de coisas e tinha os arames a meter nojo e a arranhar as maos... mas pronto, por fim alguem arranjou uma coisa tipo corda, e com um esquema muito marado idealizado aqui pelo engenheiro de serviço, la se montou aquilo, com um pau e uns fios... e meteu-se aquilo esticadinho como os seguranças queriam, para se respeitar a flecha maxima e as condicoes de serviço...

Trabalho feito abalou-se po “old man’s”.
Foi fixe, estive la pouco tempo... (nao precisei de mais...)

Bem, vou dar este poste por terminado, estou com um pouco de fome. Já sao quase tres da matina, mas acho que vou fazer uns ovos com bacon (para ajudar á vidinha saudavel que todos os erasmus levam por cá...) para comer enquanto visualizo o fantástico filme “Laranja Mecanica”, enquanto nao me dá o sono... porque embora na hungria o fuso horário é de um país bem longe...

O Natal está a porta... e ainda tenho que montar a árvore de Natal com o Zé-Avarias... vai ser preciso outro esquema pouco ortodoxo como foi preciso para montar a porcaria do cabo de enfeites de Natal... mas estou certo que tudo se arranjará...

Até á próxima, e Boas Festas