sexta-feira, dezembro 23, 2005

O Adeus aos Bacalhoeiros

Meninos,

Já jantei (fui a casa dos outros tugas jantar; recebi uma mensagem mesmo quando acabei o poste anterior, referente ao exame do Almassy),

fui até ao Simpla Kert beber um copo (uma cola, porque tenho que baixar a média de consumo de alcool... e nao ia escrever aqui neste prestigiado blog com algum teor alcoolico, por mais minimo que fosse) e

despachei a gaja.

Ainda á pouco, quando me despedia do pessoal no Simpla Kert, recebi uma reprimenda de um outro tuga, referente ao meu regresso a casa tao cedo (sai de lá pelas zero horas e trinta minutos)... mas o que é certo é que também preciso de descanso, de sair fora da rotina diária (ou melhor dizendo, rotina nocturna) e de escrever nao só para voces, mas tambem para mim, entre estes textos que vos mostro e outros que guardo só para mim.
A piada é receber este tipo de reprimendas vindas de certos rapazolas que nao sabem da missa a meio...

Desde o exame do Almassy até ao dia de hoje muita coisa aconteceu, mas o que posso e quero contar aqui é sobre a desinteressante noite organizada pelos mentores - a festa de despedida - e sobre a festa dos bacalhoeiros, na passada segunda-feira.

Para nao variar, a festa de despedida organizada pelos mentores, no edificio R da universidade, foi muito pobrezinha. Ó pá, os gajos até se esforçam... mas falta sempre ambiente naquelas festas no edificio R.
Para comecar faltam sempre gajas, claro. A festa é só para os erasmus daquela universidade (técnica) e como de costume o gaijedo nao tem muito gosto em tirar cursos de engenharia... mas há sempre as agradáveis excepcoes. Depois o pessoal mete-se sempre em alguns grupos meios fechados, e claro, os espanhois no seu grupo completamente fechado (claro, sempre com agradaveis excepcoes). Copo atrás de copo e é ver os sujeitos (nada suspeitos) do costume a comecar a fazer merda... mas pronto, ha sempre as agradaveis excepcoes que dá para um gajo se rir.
Como o ambiente da festa estava tao bom quanto o de um velório, o pessoal comecou a dar corda aos sapatos.
O mesmo pessoal de sempre, a irem para os mesmos sitios de sempre, para beberem a mesma coisa de sempre, e acabarem a noite sempre da mesma maneira... para mim isso nao da, por isso optei pela saida alternativa, menos popular, mas com quem sabe o que quer. Para surpresa das surpresas um dos bacalhoeiros decidiu vir connosco, abandonando a habitual formacao “quatro em linha”.
Fomos ate ao “cha-cha-cha”, um bar que fica numa paragem de metro... ai a noite foi altamente, curti mesmo à brava. No dia seguinte é que nao curti, porque reparei que ou perdi ou me gamaram a minha ultima nota de dez mil forints (em dinheiro isso dá qualquer coisa como quarenta euros), e entao desde ai ja ando a ser financiado pelo amigo Viana...
Conclusao: contas á parte, foi fixe.
O fim de semana tambem foi á maneira, com algumas visitas dos grego ao nosso apartamento para se fazer qualquer coisa... mas sem grandes resultados, porque o gajo é agora a unica locomotiva que puxa o trabalho para a frente, eu e o amigo Viana nao damos uma pá caixa, ultimamente. Bem, e nesta semana o grego veio ca varias vezes, mas muita coisa falhou, e só temos que lhe agradecer pelo que já nos ajudou... por isso o Paival vai ter que esperar para janeiro para por a vista em cima dos nossos projectos...

Mas estou aqui para falar das coisas que merecem, e nao de projectos mexerucos (o Paival merece, claro, mas o projecto nao...)

Por isso vou ja falar da festa do “adeus aos bacalhoeiros”.

Os bacalhoeiros decidiram fazer (e fizeram) uma festa de despedida, pois vazaram definitivamente de Budapest, tendo terminado o seu periodo de intercambio.
Entao convidaram algum pessoal “mais proximo” para um jantar antes da festa no seu apartamento, no seu restaurante favorito...
Eu fui convidado, e apos consultar o meu patrocinador Viana (que disse que havia condicoes para aprovar o crédito de que eu necessitava) respondi afirmativamente ao convite.
Que rombo financeiro que ia levar, pensei eu... bacalhoeiros, com o seu poder economico... restaurante favorito (nestas coisas as meninas tratam-se bem, ou melhor, tratavam-se, porque ja voltaram á fria noruega, onde vivem com uma qualidade que nao sei se igualará a de um comum estudante portugues...) situado num local onde estao localizados os melhores e mais dispendiosos restaurantes de Budapest...

O jantar correu bem, comi á maneira, bebi com qualidade, e no fim a “dolorosa” nao foi tao mau quanto isso. Paguei 3500 forints, qualquer coisa como 14 euros... nao foi muito mau, pois eu ja estava preparado para ver mais zeros na conta...
Terminado o jantar rumamos ao apartamento das gajas.
Estavam bem preparadas para receber o pessoal, com umas batatinhas fritas, uns salgadinhos e bolachinhas, entre outras coisas. E, como é obvio, uma grande quantidade de bebidas.
Os ramadoes do costume lá comecaram a encanar fortemente, e o ambiente estava muito fixe. A sensação de despedida, de saber que muitos de nós nunca mais nos vamos ver, contribuiu para o bom ambiente, com troca de contactos e conversas bonitas.
A festa estava mesmo bacana, mas tem que haver sempre uns morcoes a foder tudo... se dessa vez os morcoes nao estava lá dentro, no apartamento, a participar na festa, vieram de fora. Uns estudantes de medicina estavam a estudar, num apartamento que fica no mesmo piso, mas nem sequer é contiguo ao apartamento em que a derradeira festa se realizava. O barulho nao era nada de especial, mas eles viram pela janela que havia festa, e sentiram-se tao mal por terem que estudar e verem o povo a divertir-se que foram logo fazer queixinhas. Depois ameacaram com a moina, e para isso nao ha resposta, por isso abalou-se dali pra fora, com os borrachoes dos filandeses a emborcarem tudo o que havia de pénalti, para nao se desperdiçar nada...


Lá saimos do apartamento, e fomos ate a praceta proxima dali para se pegar num taxi.
Ja estava muito povo distribuido pelos taxis, e quase tudo a entrar quando os segurancas do “mercado de natal” vieram a correr e agarraram num moço que fazia parte do nosso grupo.
Um “mercado de natal” é simplesmente um amontoado sazonal de barraquinhas em madeira, ao estilo das que se pode ver nalguns tipos de feiras populares ou feiras medievais, que vendem todo o tipo de tralhas po pessoal comprar e oferecer no natal. Entre as referidas barraquinhas, deste mercado de natal, havia uns enfeites, que consistiam de umas catenarias com uns lacinhos e sininhos e todo o tipo desses enfeites natalicios. O referido moço que foi apanhado la pelos segurancas cometeu o estupido erro de oartir umas dessas “cordas” de enfeite, e entao os morcoes dos segurancas ja estavam prontos para foder o gajo, chamar a moina e nao sei-que-mais...
Eu vi os segrancas a pegar no gajo e a levarem-no la po meio do mercado, para uma zona mais recondita, e a falarem so em hungaro... e ainda empurrarm uma gaja que la estava connosco... como é obvio nao é coisa agradavel de se ver, ainda para mais porque a resposta dos segurancas foi notoriamente desproporcionada. O gajo efectivamente fodeu aquela merda, mas tava a dizer que nao, e nao sei que mais... so a arranjar mais sarilhos. Entao os filandeses rasparam-se. Pa, quatro gajos, alguns com cortiço, para se a coisa com os segurancas nao corresse da melhor forma poderem por ao menos as gajas a salvo (aqui os bicharocos nao respeitam nem as gajas...).
Burros como cepos, os segurancas nao percebiam nada do que diziamos, mesmo quando trouxemos um hungaro que estava connosco para traduzir tudo, explicar a situacao e perguntar pelas consequencias...
Entao finalmente decidiram-se: das duas uma, ou reparavamos os estragos, ou chamavam a moina. Nao aceitavam dinheiro para reparar os estragos.
Chamar a moia estava fora de questao, porque todos nós estavamos com alcool no sangue, uns mais do que outros, e ate havia povo sem identificacao na altura, para piorar as coisas, caso a moina viesse.
Entao como nao havia mais nada a fazer, meteu-se maos a obra. Ou quase, porque a primeira tentativa de reparar o estrago foi infritifera. O cabo que estava partido era constituido por elos, de aco, mas com algumas ligacoes que ainda agora nao percebo, porque tinha uns arames la para o meio, e foi isso que fodeu tudo, porque nao adinta ter uns elos de aço se depois tambem tem lá uns aramezinhos a prender aquilo...
Dada a situacao ser dificil, de entre as 14 (catorze!!!) pessoas que lá havia fez-se uma equipa de trabalho. Como o pessoal é desenrascado que se farta, tive que ser eu a por as coisas a andar prá frente. Uns gajos pegaram-me em ombros e eu tentei conectar os elos, mas era preciso fazer muita forca...

Entao “bota energia nesses braços Toni”, e junta essa merda... mostra o que um tuga vale cárálho... o povo comecou a puxar por mim, a cantar “Antonio... Antonio...” e la me veio a pujança toda e juntei aquela merda. Mas foda-se, a qualidade daquilo é mesmo rafeira, e entao com a força que fiz a tensao do cabo excedeu o limite e aquilo partiu-se noutro sitio. Agora tinhamos o cabo partido em tres.
Calma pessoal, vamos la ver como se desenrasca isto... o hungaro-tradutor tambem se juntou a equipa, e entao os dois em conjunto delineamos uma solucao para aquela merda.
Antes de mais eram precisas condicoes de trabalho, por isso fomos buscar um caixote do lixo, daqueles grandes, com rodas, para servir de andaime. Perfeito, sacamos uma merda daquelas e a altura era perfeita...
Primeiro remendamos a seccao que se tinha partido em segundo lugar, porque era so conectar dois elos, e depois seguimos para reparar a seccao que o outro moço tinha partido, que era um bicalho, porque nao sei como estava mesmo tudo partido, faltavam montes de coisas e tinha os arames a meter nojo e a arranhar as maos... mas pronto, por fim alguem arranjou uma coisa tipo corda, e com um esquema muito marado idealizado aqui pelo engenheiro de serviço, la se montou aquilo, com um pau e uns fios... e meteu-se aquilo esticadinho como os seguranças queriam, para se respeitar a flecha maxima e as condicoes de serviço...

Trabalho feito abalou-se po “old man’s”.
Foi fixe, estive la pouco tempo... (nao precisei de mais...)

Bem, vou dar este poste por terminado, estou com um pouco de fome. Já sao quase tres da matina, mas acho que vou fazer uns ovos com bacon (para ajudar á vidinha saudavel que todos os erasmus levam por cá...) para comer enquanto visualizo o fantástico filme “Laranja Mecanica”, enquanto nao me dá o sono... porque embora na hungria o fuso horário é de um país bem longe...

O Natal está a porta... e ainda tenho que montar a árvore de Natal com o Zé-Avarias... vai ser preciso outro esquema pouco ortodoxo como foi preciso para montar a porcaria do cabo de enfeites de Natal... mas estou certo que tudo se arranjará...

Até á próxima, e Boas Festas

O Exame do Almassy

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2005, exame do Almassy.

“Eight thirty, sharp! In front of the department” – disse o cipriota-rei, o “old man”.

Mas depois a hora foi alterada para as oito em ponto... porque os cipriotas queriam ver se apanhavam o Almassy sozinho, antes do exame comecar, para ver se o homem se escorregava e dizia qual a pergunta que ia sair, ou qualquer coisa do género... uma tramóia das do costume, para fazer falcatrua no exame. Mas nao foi preciso que o professor deslizasse... este exame foi o exame mais escandaloso que já assisti e fiz. Comecou com o outro prof, o de caminhos-de-ferro, a aparecer, e encaminhou-nos para a sala. Disse que o Almassy estava atrasado (para nao variar) e perguntou “do you have the questions of the exam?” (“tem as perguntas do exame?”)
Os cipriotas responderam logo que sim, e entregaram uma folha que tinha as 6 questoes da parte de caminhos-de-ferro.Enquanto lia as perguntas, o prof perguntou se tinhamos feito as respostas, e se as tinhamos ali. “Sim”, responderam mais uma vez os cipriotas. Entao o prof escolheu as duas primeiras perguntas para serem as questoes do exame... “que sorte!” - disse eu e disse o amigo Viana, porque estas perguntas eram as mais faceis e as que se tinha mais para dizer.

Entao deu-se por comecado o exame, com o povo todo proximo, mesmo a maneira para se copiar. O Viana estava sentado a minha frente, virado para mim... podia ler tudo o que ele escrevia (ou quase, devido à sua letra manuscrita com muito “estilo”), o cipriota “old man” estava ao lado do Viana, tambem podia ler alguma coisa... e estava outro cipriota ao meu lado, que era outra possivel fonte de informacao. Mas pronto, a minha intencao nao seria copiar, porque estas perguntas ate as sabia responder, mas as vezes podia ver um desenhito ou uma frase que me esivesse a esquecer de por na resposta, e entao ao dar a olhadela para o lado lá refrescava a memória.
O Viana comecou logo com um gazeiro fodido, a escrever rápido como cavalos... o cipriota “old man” nao sabia um caralho, estava a fazer uns desenhinhos dos perfis, e a olhar em redor... á pesca de qualquer coisa. O gajo que estava ao meu lado estava a escrever umas coisas... volta e meia os gajos falavam entre si, e o prof dizia que nao podiam falar em grego... e ria-se... todos a falar, em grego, portugues e ingles. Bem... todos nao, porque o “Futre” nao fala. Na primeira aula que tivemos com estes gajos perguntamos o nome ao gajo, e de onde ele vinha, e o “old man” interviu logo “he doesn’t speak” (ele nao fala). Porra... pensei eu e pensou o Viana... entao o gajo nao fala ingles e esta a tirar o curso em ingles?!? E ja vai no ultimo ano?!? So passado uma semana ou mais é que percebemos que o gajo nao fala mesmo, nao só ingles mas tudo, porque tem um problema de fala ou audicao... Mas da para conversar, se falarmos muito devagar e o gajo le nos lábios, o que é dificil em ingles, mas em grego os gajos comunicam fixe.

Bem...

Continuando,

Estava o Viana a despejar a resposta, mesmo a dar-lhe brita, eu a escrever umas coisas de que me lembrava, e os ilhéus enrascados (pensei eu...), porque nao escreviam quase nada(ou mesmo nada)... olhavam po tecto... até que...

Surpresa das surpresas (para mim e para o Viana, porque os ilhéus pareciam já estar a contar com algo do género do que vou contar a seguir...)

Bem, entretanto o Almassy tinha chegado, e disse que a pergunta po exame seria a 6, para descrever as diferentes camadas, tipos de camadas, bem, dizer tudo sobre as camadas dos diferentes tipos de pavimentos. “Esta também nao está mal”- disse ao Viana, porque sabiamos e tinha tambem muito para dizer.
Entao o Viana comecou a dar ainda mais brita, porque o tempo que tinhamos (hora e meia) podia nao ser suficiente para responder a tudo. Eu estava mais tranquilito, a ver qual seria o esquema dos cipriotas para se safarem... porque copiar uns pelos outros seria fácil, mas nao me parecia que algum deles soubesse o que responder...

Entao surgiu a surpresa das surpresas...

O prof de caminhos-de-ferro foi tomar um café, e deixou o Almassy a “vigiar” o exame sozinho.
O Almassy, passados dois ou tres minutos, também se raspou dali...

Criadas as condicoes perfeitas para a trafulhice, os ilhéus sacaram das respostas pré-feitas, meteram os nomes e ficaram a espera dos profs. Eu e o amigo Viana ficamos parvos a olhar para aquilo... os gajos ficaram parvos a aolhar para nos... a pensarem “quem sao estes burros?!? Saquem das respostas...” e perguntaram-nos se nao tinhamos as respostas.

“Sim, temos...”

“Entao ide busca-las!”

Com tanto incentivo fui buscar as minhas respostas á mochila, que estava uns seis ou sete metros de distancia (eu e o Viana tinhamos feito as respostas para estudarmos, e nao para fazermos o “golpe técnico”).

Pus-me a copiar o que faltava na minha resposta da primeira pergunta... o “old man” passou-se... “No! Don’t copy... Put your name in the answers and that’s it!”

“Portugueeeeeeese... you will never learn...”

Entretanto o Almassy apareceu, mas fez notar a sua chegada com um “Cof Cof” bem audível e com uma performance de sapateado ao subir as escadas em caracol, de madeira...

Lá acabei de copiar o que faltava e pus o nome nas outras respostas... estava-me a rir que nem um perdido, porque em vinte minutos tinhamos as respostas feitas. Respostas com detalhes impossiveis de memorizar, mas como eram as respostas-apontamentos-para-estudar estava lá tudo... no meu caso até entreguei umas respostas com uma apresentacao porreira, em duas cores, com coisas sublinhadas e tudo.

Os cipriotas entregaram entao, passados os vinte minutos, o exame. Um calhamaço fodido... coisas que seriam impossiveis de esrever em tao pouco tempo... o Almassy, que estava a fazer qualquer coisa no seu portatil, recebeu os exames e disse que a nota deveria sair no dia seguinte, ou na segunda-feira. Eu tambem ja estava aviado, mas esperei que o Viana acabasse de copiar umas coisas, porque tinha nos seus apontamentos respostas para outras perguntas juntas com as que devia responder...

Bem, o Viana lá acabou de copiar as cenas que lhe faltavam, e entregamos o teste. Dissemos adeus ao Almassy e bazamos logo... ficamos parvos com aquilo, porque nao estavamos a espera de tal coisa... mas tudo aquilo pareceu normal para os cipriotas, e ainda mais espantoso, para os professores, que afinal de contas “abriram a perninha” e fizeram com que tudo aquilo fosse possivel...

Acabado o exame, fomos ate a aula do “arquitecto”, para vermos se tinhamos passado ou nao no exame de que fomos avisados no dia anterior. Eu e o Viana estavamos um bocado receosos, porque o exame tambem tinha sido uma pistolice fodida, e avisaram-nos que quase toda a gente tinha chumbado...

Bem, o “arquitecto” projectou a pauta na parede, e aquilo estava mesmo uma desgraca... parecia um boletim do totobola: 1 X 2.

Aqui as notas sao as seguintes:
1-Chumbado
2,3,4,5-Passado, com o 5 a ser a melhor nota

Neste boletim de totobola as equipas a jogar em casa deram a verdadeira abada aos “visitantes”... só “uns” por ali a baixo.
Alguns “dois”, acho que nem vi “tres”... tres “quatros” e um “cinco”.

Se chumbassemos neste exame nao poderiamos ir ao exame final em Janeiro, e a ultima hipotese de repetir este exame seria no dia seguinte, e isso nao seria nada desejavel, porque nessa noite era a ultima noite de copos organizada pelos mentores, a festa de despedida... e isso nao poderiamos falhar...

Lá procuramos os nossos nomes pela pauta abaixo, e pudemos ler:

ANTONIO SILVA 4
RENI PERJE VIANA 4

Bem, lá nos safamos, e como sempre ainda deu pra rir com o nome do Viana, porque ele escreve o nome com a sua famosa letra artistica... já lhe disse para escrever o nome em maiúsculas... mas o artista dentro dele é mais forte do que a razao...



Povo, escrevo isto e já passou exactamente uma semana desde o exame, e as notas aindam nao sairam... eram pra ter saido no dia seguinte ao exame, ou na segunda-feira... mas ate agora népias. Só espero que nao tenha dado um ataque de consciencia a algum dos profs e queiram anular e repetir o exame do pessoal todo... isso seria o cúmulo, especialmente para mim e para o Viana, que estudamos e sabiamos as respostas...

Bem, vou jantar...

abracos

quarta-feira, dezembro 21, 2005

A Velha

Leitores,

Aqui vai mais um poste para este blog, que bem merece, que vós bem mereceis e que eu tinha que escrever para nao entrar num estado de stress excessivo. Por incrivel que pareça, ando agora um pouco stressado...
perguntam voces como é possivel estar stressado com a vidinha que tenho contado por cá... mas o que é certo é que isto agora aperta mesmo, com os exames e trabalhos.

Neste momento nao estou nem na faculade nem no Marrokino. Estou em casa, a usar o computador do Viana, porque aqui a machine ja andou para tras e para a frente a passear, mas parece que desta veio pra ficar.

Primeiro nunca mais vinha para cá, depois, quando finalmente chegou, vinha num estado nao muito saudavel, como ja referi num poste anterior. O viana disse que era um problema qualquer do disco, que nao era compativel, ou nao-sei-o que mais, mas eu acho que o que isto apanhou foi a doença do sono, porque volta e meia lá se cansava e espetava-nos com a persiana azul nas trombas, e la se desligava para mais uma soneca.
Mas pronto, agora ja foi e ja veio para ser tratado pelos especialistas portugueses nestas coisas, e ao que parece veio de boa saúde. Chegou domingo de manha, as oito e meia. Num normal fim-de-semana a hora nem seria muito má, pois podia ser que eu ou o viana estivesse-mos a chegar a casa por essa altura. Mas este ultimo fim-de-semana nao foi dado a “altos voos”, muito por causa da semana desgastante que tivemos, com muito estudo. Bem, o estudo nao foi muito, mas devia ter sido, ou podia ter sido, nao sei bem, porque aqui a faculdade é muito estranha. A semana até comecou bem para o “lado do estudo”, mas devido a acontecimentos inesperados o “lado da farrapice” terminou a semana com uma vitória arrebatadora, nunca antes alcançada.

Planos, prognósticos e antevisão da semana que passou:

A intencao era esta ser uma semana totalmente certinha, sem faltar as aulas. Nao por as aulas serem muito importantes ou interessantes, mas por ser a recta final e como aqui é tudo muito imprevisivel é importante saber ao certo quando temos que entregar os trabalhos e quando sao os exames.

Entao os planos foram os seguintes:

Segunda-feira: ir ás aulas todas. Comecar a estudar po exame de sexta-feira, do Almassy.

Terca-feira: ir ás aulas todas, ou possivelmente nao ir à primeira aula, as 8:30, que é a aula do Velho. A falha nao seria muito grave, e poder-se-ia aproveitar o tempo para descansar se acontecesse o caso de estudarmos até muito tarde na segunda-feira á noite po Almassy.

Quarta-feira: ir ás aulas todas, ou a nenhuma. A situacao das primeiras aulas seria a mesma da de terca-feira, mas a aula de Concrete com a Velha estava ja descartada porque seria o exame das “minimum questions”, e nem eu nem o viana o iamos fazer, porque pedimos á Velha para o fazer na semana seguinte, pois teriamos o exame final do Almassy na sexta..

Quinta-feira: estudar.

Sexta-feira: fazer o exame, e depois ir tomar um copo com o Almassy.

Bem pessoal, uma coisa sao os planos, os prognósticos e as antevisões...





Do Mito à Realidade...


Segunda-feira: até foi um dia normal, com o Paival a dar o “mais” pelo que tinhamos feito da viga. Á tarde foi-se á aula do Coelho, e depois disso encaminhamo-nos para casa. Apos o jantar começou o estudo para o exame.

Terca-feira: zero horas, vinte e nove minutos: O Início do Fim. Lá pela uma hora e meia já estavamos, eu e o viana, sentados no Simpla Kert, um bar bastante calmo e agradável.

Domingo: regresso a casa. Entrega do Computador. “Cagar à Pistola”.

Tudo o que se passou entre “O Início do Fim” e o “regresso a casa” foi algo que voces nao podem imaginar, e eu nao posso contar.

Ah, é verdade, o exame do Almassy foi adiado. Para a proxima quinta-feira. Vamos lá ver se é desta...

Depois de uma semana tao boa, a vários níveis, tudo o que se seguiria só podia ser pior, nao que tivesse forçosamente que ser mau, mas melhor do que a semana que tinha passado... só por milagre.

Nao teria que ser forçosamente mau... mas até foi... a começar pelo “Cagar à Pistola”.
Pessoal... que agonia!
Cometi o terrivel erro de, após a verdadeira semana da farrapice, ainda ter moral para ir ao McDonald’s. Nao uma “normal” ida ao McDonald’s para meter qualquer coisa no estomago no final da noite (ao estilo das “roulotes dos cachorros” ai de Portugal, mas aqui nao existem essas maravilhas da gastronomia, sendo necessário recorrer ao nao menos conceituado McDonald’s) mas uma dupla visita no mesmo dia... isso é estar a pedir-las.
No inicio da noite, antes de ir beber um copo, passei lá com o amigo Viana. Quando entramos foi uma risota fodida, todos os gajos la do McDonald’s a rirem-se. Cambada de hienas, aqueles gajos e gajas... um maralhal fodido atrás do balcão, sem fazerem absolutamente nada. Depois nao pode entrar um gajo bem parecido e com estilo como eu que se comecam logo a rir que nem uns perdidos. Mas menos mal, estava lá o Norbert, um gajo que trabalha lá noite e dia, e que para além de ser um cromo fodido já stressou com o amigo Viana, por causa dos trocos: pessoal aqui dois cheeseburgers custam a modica quantia de 350 forints (qualquer coisa como 1,40 euros), e no regresso a casa apos a noite é o que se come sempre. Entao num regresso a casa, o Viana passou por lá, para comprar os dois cheeseburgers do costume, mas já estava sem guito e comecou a recolher os trocos dos bolsos, para ver se chegava ao numero magico dos 350 forints... moeda atras de moeda... e pronto, mesmo á certa! Um monte de moedas po Norbert, e o gajo ficou fodido. Anda a gozar com a cara do pessoal, mas nem sabe o que o espera: se o gajo nao gosta de receber um monte de trocos, vai receber um monte de trocos! Aqui em casa já se está a recolher as moedas de 1 e 2 forints para antes de deixarmos de vez o “País-das-Avarias” fazermos uma última refeição naquele maravilhoso McDonald’s 24 horas do Oktogon...
Apos a noite passei lá outra vez, mas desta vez sem o Viana, mas com o Turco. E botá-baixo mais dois cheeseburgers...


Domingo: regresso a casa. Entrega do Computador. “Cagar à Pistola”.

Lá pelas tres da tarde o Viana pega aqui no machine e vai para a faculdade para aceder á net wireless, todo convencido que aquilo estava aberto... meninos, isto aqui nao é a FEUP, nem o “País-à-beira-mar-plantado”. Ao domingo fecha tudo. Nem sei como é que os policias e os medicos trabalham ao domingo... porque acho que até os ladrões ficam em casa, e até para se aleijar deve ser preciso muito azar, porque pelo que tenho visto ninguem sai a rua. Portanto o amigo Viana dá com a cara na porta e volta pra trás.
Tou eu a “Cagar à Pistola”, uma experiencia quase tao má quanto a verdadeira “intoxicação por Gyros” (gyros é uma sandocha tipo kebab, akelas cenas dos turcos e dos gregos...), e recebo a seguinte mensagem proveniente do Viana: “menino a faculdde ta fechada. Vou ter contigo ao marrokino. Se ainda estiveres em casa leva o meu cartao do marrokino.”
Quando finalmente acabaram as municoes fui tomar uma banhoca e pus-me a caminho do Marrokino. Após o Marrokino comecou a verdadeira “Semana Negra”.

Exame do Almassy na quinta-feira, possivel entrega do trabalho de Steel, possivel entrega do trabaho do Paival... e pior que tudo: exame das “minimum questions” de concrete.


Puta da Velha.


O exame é apenas um pré-exame para o verdadeiro exame final. So serve para fazer a triagem dos gajos muita burros ou muita desleixados. Entao o exame consta do seguinte: uma Vaca tira, de dentro de um saco de plástico, cinco papeizinhos, cada um com uma questao. Dentro do saco estao inicialmente 70 papeizinhos, que correspondem ás 70 perguntas que um gajo deve estudar e saber. O exame é apenas para foder um gajo, nao conta para a nota final, servindo unicamente como triagem, como já referi, e por isso só existe a nota “passado” ou “chumbado”. Se se falhar uma das cinco perguntas “pumba”... já ta fodeste. Se o resultado for este, pode-se repetir o exame, nesse dia, mais tarde, sei lá quando... quando a Puta-da-Velha puder ou quiser.

Bem pessoal já devem ter reparado que eu curto a Velha “á brava”... importa agora referir que no momento que escrevo isto já fiz o exame mais merdoso e estúpido de toda a minha vida. PASSEI CÁRÁLHO, posso agora ir ao exame final. O amigo Viana tambem passou.
Ontem escrevi uma parte deste texto enquanto estudava para este estupido exame, numa pausa para nao entrar com o cérebro em cedencia. Tanto eu como o Viana estavamos a entrar em desepero com as “perguntas” daquilo. A Velha nao sabe ponta dum corno de betao, nao sabe ponta dum corno de inglês. Até aqui nao ha problema nenhum, porque nao se é obrigado a saber falar ingles ou a perceber de estruturas de betao armado. O problema é esta Velha ser prof de “Reinforced Concrete Buildings”, disciplina de MESTRADO (?!?!?!) aqui na Budapest University of Technology and Economics (Muegyetem), aulas de (como o nome indica) edificios de betao armadao, leccionadas (“na teoria”) na lingua inglesa. Entao temos perguntas como:

“Define the mixing system”,
“write the principal consideration of resistance system”,
“which behaviour have to design the braced in horizontal diaphragm”,
“how does it model the rigid frame for lateral load”,

Ou ainda

“draw the periphal distribution versus proportionate stiffness distribution”


Alguem entende esta merda??? Se entenderem o que a gaja quer nesta perguntas das duas uma: ou sao loucos ou génios. Pessoal até podem tentar... mas calma que para perguntas destas, respostas ainda melhores. A coisa boa é que as respostas foram feitas por nós, alunos, antes do exame, corrigidas pela velha, e tiraram-se cópias para todos.
Por exemplo, a resposta para a segunda pergunta acima transcrita (“write the principal consideration of resistance system”) nao é, como a pergunta pede a consideracao geral mas sim 5 (cinco) tópicos, ou fases, ou lá o que era. Nao me lembro das 4 primeiras, mas sei que a ultima “principal consideracao do sistema resistente” era a fantástica “convincing the authorities”. Fico burro, e echo que se algum prof de lá da FEUP visse isto lhe dava um ataque. Entao neste exame de betao tambem tinha pra lá perguntas de gestao de projectos... de solos... de construcoes em madeira... pá tudo misturado, tudo mal, tudo uma merda.

Bem, o que interessa é que passei hoje áquela merda, á segunda tentativa. Na primeira saiu-me uma pergunta que eram oito topicos...nao me lembrei de todos. Tive que responder a mais cinco questoes e lá me safei... mas vi o caso muito mal parado. Hoje foi o exame do “lado negro da forca” la da turma: Eu, o Viana e o Grego. Os meninos de leite de lá da turma (os dois franceses e o iraniano) ja tinham passado naquilo a semana passada, mas nós, os Tugas, nao fomos pois tinhamos supostamente o exame do Almassy e o Grego falhou uma pergunta... Pá aqueles franceses... sinceramente... sao estudantes de erasmus tal como eu e o Viana, mas sao uns meninos fodidos... loucura para aqueles gajos é beber coca-cola antes de ir dormir (porque tem cafeina) ou ver o Rambo (porque é um filme muito violento). Pá que o iraniano seja certinho é compreensivel e outra coisa nao seria de esperar; Casado, á procura de emprego, precisa de uma mais-valia para o curriculo e entao está a tirar aquele “mestrado”. Mas dexem-me que vos diga: naquele mestrado “mais-valia era tár quéto”...
Entao hoje a prof queria ver se já passava a perna ao “dark side of the force”... porque nao percebe que nao é necessário ser-se atinadinho e preocupado para se passar nos seus exames de merda, e os unicos gajos que mandavam a piada quando a situacao merecia eramos nós, os Tugas e o Grego. A gaja deve pensar que por sabermos mandar piadas nao sabemos estudar ou somos palhacos... “muito riso pouco siso”. Isso nem sempre é verdade, pois há siso que só se atinge com muito riso... porque as coisas para serem bem feitas ou seriamente feitas nao implica forçosamente que sejam aborrecidas ou chatas.
Mas como a Velha tem a palavra final no que respeita á avaliacao da sua disciplina, lá a vamos aturando... porque nunca me chateei com nenhum prof, e nao ia ser agora que uma Velha destas me ia foder o juizo. Que faça o que tem a fazer, mas que nao se meta com quem nao deve. E hoje já comecou a mandar bocas que nao devia no exame... estas pancas da Velha já começam a dar água pela barba...
Mas siga pra Bingo, que o que águas passadas nao movem moinhos... e o exame até acabou por se fazer.

Estive agora a estudar po exame de quinta-feira, do Almassy... mas está dificil. Estou com o cérebro retardado devido á experiencia traumatisante de hoje, com o exame da Velha má como as cobras.
Sao tres e meia da matina, por isso vou dormir um coto, para amanha ir ter com o célebre cipriota “Old Man”, para ver se o gajo arranja apontamentos para a parte dos caminhos-de-ferro, que nao podémos ir a essas aulas... depois mais uma maravilhosa aula com a Velha...
Vou gravar esta cena na pen, antes que a persiana azul volte... que hoje já fez a sua aparicao de novo! E isto nem arrancava... teve que se fazer o arranque com o CD do windows pela BIOS... e reparar o sistema operativo... mas quem esta com sono agora sou eu, e sou eu que vou fechar a persiana... continuo isto amanha, provavelmente...

sexta-feira, dezembro 02, 2005

pos-mini-teste

povo, sai a pouco dum mini-exame, ou la o que lhe chamam por aqui, mas uma coisa horrivel... nao e que tenha corrido mal, mas tambem nao correu bem...

para contar a historia do exame e preciso recuar no tempo... ate a ultima quarta-feira a noite, na noite de copos (a "Pub-Evening", organizada pelos desorganizados "mentors", que sao uma especie de mentores que supostamente devia ajudar o pessoal de erasmus, mas nao fazem nada, e o que fazem fazem mal... ou seja, o que de melhor ainda conseguem fazer e organizar estas "Pub-Evenings", porque de fazer tem pouco, e como tal a pouco por onde se enganar (so mandam um mail a dizer o nome do bar no qual o povo se deve reunir...)

ora nesta semana eu e o amigo Viana apercebemo-nos que de facto estamos muito enrascados com tantos trabalhos (designtasks) e que os exames ja estao ai a porta, portanto decidimos ir a Pub-Evening. mas so um bocadinho, sem beber muito, para no outro dia estarmos frescos para a aula do Almassy (ganda gajo, prof de pavimentos...) que seria a ultima aula antes do exame dessa cadeira. Portanto fizemos um jantarzinho porreiro (com o meu fantastico ARROZ DE ERVILHAS, que tem uma consistencia "half-plastic" - ate fizemos os testes de fluidez do betao, como o teste da mesa vibratoria (dando socos na mesa enquanto comiamos, ao nos lembramos do Paival) e o "slump-test" (quando a mesa para alem de vibrar ate saltava, por entrar em ressonancia com o nosso riso...) e o habitual peito de frango) e como bons tugas que somos chegamos la a noite de copos la pas onze e meia, que e a hora normal para se beber uma cervejinha, mas estes gajos comecam a emborcar as nove e meia da noite, ou as vezes ate mais cedo, e entao quando chegamos tivemos uma recepcao acalorada pelas calorias de muitas e muitas cervejas que alguns papos ja continham. Ja era prai meia noite quando fui buscar a minha primeira bejeca (e planeadamente unica cerveja da noite porque, como ja referi, no outro dia tinhamos o Almassy a espera, e ainda o cipriota-rei-da-matilha, o grande "old man", que nessa quarta-feira nos emprestou o livro dos comboinhos para tirarmos fotocopias, e nos fez o seguinte ultimato: "Portuguese! If you don't come tomorrow to the class, you better don't come again!" por isso tinhamos que la estar, para devolvermos o livro ao moco, para termos a ultima aula antes do exame e para nos rirmos que nem perdidos, porque com aqueles gajos a aula e sempre um episodio dos malucos do riso...)

entao pego na minha cervejinha e vou-me meter em sarilhos, porque fui-me enfiar na mesa dos bacalhoeiros. pessoal, ja vos falei dos bacalhoeiros?

parece-me que nao... por isso quero-vos apresentar os bacalhoeiros...

aqui os bacalhoeiros nao sao os barcos de pesca ao "fiel-amigo", mas sim quatro gajas. Para nao comecar aqui a descambar com descricoes poeticas de corpos femininos, vou tentar fazer uma descricao por topicos, compacta e realista.
ora entao ai vai:

ponto primeiro) Os bacalhoeiros sao 4 (quatro) gajas.

ponto segundo) A media de idades dos bacalhoeiros ronda os 21,75 anos, e o desvio padrao e poucoxinho.

ponto terceiro) A media de alturas ronda os 1.76458 metros, e o desvio padrao nao e muito.

ponto quarto) A media de pesos dos bacalhoeiros e "o peso certo", e o desvio padrao e poucoxinho.

ponto quinto) Os bacalhoeiros sao provenientes da noruega, a terra do bacalhau.

ponto sexto) Os bacalhoeiros sao boazonas.

ponto setimo) Os bacalhoeiros batem mal da bola, ou esqueceram-se da bola na noruega, ou gamaram-lhes a bola, ou a bola ficou retida na fronteira ou la o que foi.
Estas gajas deviam vir com manual de instrucoes, para ver se alguem as podia entender, mas parece-me que quem tentou fazer tal manual se suicidou.

ponto oitavo) Os bacalhoeiros bebem apreciaveis quantidades de alcool, e tanto pode correr bem e ficarem bem dispostas como pode correr pro torto, e entao todo o seu vasto potencial de "bate mal da bola" converte-se num jogo de bola muito mau, ao estilo do benfica com este novo treinador...

bem pessoal ja podem ficar com uma ideia dos bacalhoeiros, e importa referir agora que me encontro novamente no Marrokino. escrevi estes dois ultimos pontos da descricao dos bacalhoeiros ja no Marrokino, porque nesta terrinha o pessoal da-se um bocado mal com as tecnologias (mal cheguei a minha fantastica machine de calcular foi co caralho, depois foi o caso "computador do ze avarias", e agora o meu telemovel, que adquiri ja em territorio hungaro, deu o berro, porque mesmo que eu berre ou quem esta do outro lado da linha berre que nem um desalmado nao se ouve nada...)

estava eu entao na sexta feira passada a escrever aqui e fecharam TODAS as salas de computadores la da universidade... entre as 2 e as 4, nao sei para que... e entao peguei nas coisas e toca a abalar que ha mais que fazer do que estar a aturar estes burros...

entao ca estou eu novamente neste lugar, onde comecei este blog. vim ca para imprimir uns apontamentos de que necessito para o exame do Almassy, que e ja daqui a 4 dias... claro que tentei imprimir na faculdade... mas para imprimir 20 folhas demorou mais de 35 minutos... tive que ir pa aula do coelho, por isso nao pude imprimir tudo... e decidi vir pro Marrokino... mas FODA-SE...

impressora do Marrokino: grande, ultimo modelo da HP, XPTO. so de ver ate faz um gajo sentir-se bem!

mas pessoal, lembrem-se da minha localizacao geografica, estou no pais das avarias! nao percebo como e possivel, mas para imprimir aqui qualquer coisa e desesperante... e entao la sai uma pagina de 3 em 3 minutos... e tenho cerca de 100 paginas para imprimir, por isso podem fazer as contas e veem como estou completamente fodido...


bem , mas nao escrevo isto para me queixar, mas sim para voces nao se queixarem da vossa vidinha, que as vezes so pensamos que "so me acontece isto a mim..." por isso vou retomar a historia como se estivesse sentado nos computadores do edificio R, na faculdade, na sexta feira, apos um exame completamente estupido...

ora entao la estava eu, com a minha cervejinha, na mesa dos bacalhoeiros...

e sempre bom beber uma cervejinha descontraido, com companhia "agradavel"... para descontair nao ha melhor... mas como ja disse:

"entao pego na minha cervejinha e vou-me meter em sarilhos"

apos uma conversinha de treta, uma coisa bastante agradavel quando nao se pretende falar de coisas serias como o protocolo de quioto ou de politica internacional, a minha bacalhoeiro preferida comecou a falar dum tema ate nada de especial, o Natal.

bem... estava ela a contar umas cenas da tradicao natalicia norueguesa, e eu recostado na cadeira (ate que nem era uma cadeira ma, ate pelo contrario, bastante confortavel...) a bebericar uma Stella Artois... que noite bacana...

mas calma, que agora estava a ser solicitado para contar como é o meu natal... tradicoes, familia, etc. e tal... porra, o meu natal e altamente, mas nao me apetecia nada tar ali a falar "conversa da treta"... uma coisa é tar a córtir ouvir uma conversa da treta, outra coisa é participar como orador principal...

mas pronto, la disse umas coisas, para estas gajas nao ficarem a pensar que la por terem neve e dinheiro comá lixo, existem os Tugas, que sem terem nada disto fazem um natal a maneira... ate porque, pelo que tenho visto, o desenrascanso Tuga e mesmo verdadeiro, e com pouco fazem muito... entao pra festa... "nao há pai"...

ora entao la mandei uma de letra, com uns relatos dos meus natais porreirinhos, a familia e essas coisas... quando se é puto o natal é altamente... mas também é muito fixe quando se tem um irmao puto, porque aquela mistica das prendas volta de novo, faz-me sentir bem so de ver o gajo todo feliz...

nao me apetecia falar muito com a gaja... fazer outras coisas nao digo que nao, mas conversa da treta ja chega a dos politicos... e apreciar uma cerveja é trabalho de homem. e eu sou bom nisso...

nao sei porque, a gaja tava a curtir a conversa, e perguntou-me quando é que eu ia para portugal, para o natal... "bem" - disse eu - "nao vou..."
a gaja ficou com uma expressao esquisita, um misto de espanto e incrediblidade...

"entao o natal é tao fixe como contas e nao vais?"

...

para estas meninas é dificil entender que nao se vai a casa no natal porque simplesmente "é caro e a vida nao tá fácil..." bem, para nao estar aqui com estas descricoes rafeiras (rafa, desculpa la a palavra, mas o adjectivo é mesmo assim... nao tem nada a ver contigo) vou simplesmente dizer que a conversa nao seguiu o rumo desejado, principalmente porque nao era conversa de se ter numa "noite de copos", e a minha paciencia para aturar certas atitudes ficou em casa nesse dia a descansar (porque tem trabalhado muito).

bem o que se seguiu, foi, adivinhem lá...








...mais uma cervejinha, para nao secar os labios, porque ja estava a falar de mais para uma noite calma, principalmente coisas que nao me apetecia falar...


mas pronto, tambem nao sou gajo de saltar do barco aos primeiros sinais de tempestade, principalmente quando o barco é um bacalhoeiro...

as consequencias foi chegar a casa la pras 5, apos ter passado mais 3 ou 4 horas a falar do que nao devia la com a gaja, e a beber finos a pala do governo noruegues. tava mesmo fodido com a conversa, e quando cheguei a casa ainda tava la o viana a meter mais "achas para a fogueira..." e la fui eu pra cama com uma azia do tamanho do meu buraco financeiro...

passadas "duas horas e pouco" la estava eu acordado, para ir a aula do Almassy... e apos o banhinho matinal la fui eu e o viana pa aula...

a aula foi de rir, e tira a azia a qualquer um... pessoal estes cipriotas... sao de mais... de partir o coco a rir... mas deixo a descricao e os melhores momentos com os gajos para outra altura, porque eles merecem um post so para eles.

entao apos a aula eu so queria ir dormir, mas o viana disse (e com razao) que deviamos ir a sala dos cipriotas do 3 ano para lhes perguntarmos quando tinhamos que entregar (e temos) o projecto de Building construction (que ainda nem comecamos... tamos fodidos). tava la um iraniano, gajo certinho, e perguntamos "atao moco, ta tudo? sabes quando temos que entregar o projecto?" o gajo disse que nao sabia, mas se entregassemos em janeiro nao devia haver problema. Optimo. Boas noticias, tamos mesmo a rasca de tempo... e com trabalhos do Paival que ja mete nojo aos porcos qualquer folga é bem vinda. "e olha pa, o exame, tambem é em janeiro, certo?"
"sim, o exame final deve ser em janeiro... MAS temos tambem um exame antes... É AMANHA..."

tava eu com uma vontadinha de ir dormir, nao tava para aturar aquelas piadas... moco, comeca-te lá a rir, fui uma piada jeitosa, essa... exame amanha...

olho po viana, o viana olha pra mim. olho po moco, o moco olha pra nos, o viana olha po moco.

nao era piada.

ó meu amigo... eu nem disse nada... ok menino, chuta ai as datas de recurso, que aqui ha prai 4 ou 5 recursos pra cada exame... datas de recurso: em cima de outros exames e montes de trabalhos.

boa merda, puta de sorte. ok viana... vamos ter que vir ca amanha. nao percebo como estes gajos nao nos avisaram antes... tem aulas connosco sem ser nesta aula do "arquitecto "... mas enfim... burrice é coisa que nao falta por cá...

entao la fomos nos, apos a aula merdosa do gajo (que me custou mesmo muito a assistir, mas teve que ser), para casa, dormir e depois estudar.

e pronto, sexta de manha teste. primeiro teste com os cipriotas. a maior cóbóiada da minha vida num exame... que confusao...


3 profs a "vigiar".

30 cipriotas a copiar.

2 tugas a fazer o exame e a grizarem-se todos... que coisa era aquela...

o prof novinho, o "arquitecto", chegou la a beira duns gajos passado pouco tempo do exame copiar e disse "Já copiaram! mas foram tao rapidos que nem reparei..." risota risota risota

tive o exame todo a ser "massajado" pelo gajo k tava atras de mim... queria o meu exame...
depois la gamou a folha, e aquilo correu a fila de tras toda, mas os gajos sao tao burros que nem repararam que havia 2 versoes de exame, e tavam todos a copiar a minha cena... enfim... mesmo de rir...

pessoal vou bazar, que tenho que aviar o calculo de uma viga hoje, e eu e o viana somos aquelas preciosidades no calculo de betao estrutural, por isso temos muito que lhe dar... e nao é que hoje o Paival perguntou o que ja tinhamos feito, e nos tinhamos para la uns rabiscos que fizemos ontem com o "Demis Russos" e o gajo deu-nos um "mais". apontou la numa folhinha com os nossos nomes... como se fazia a muito tempo na escolinha primaria, ou a pouco tempo na avaliacao ridicula de Materiais 1... com estes votos de confianca os niveis de moral sobem... está na altura de pegar o boi pelos cornos...

bem, mas nem tudo e trabalho, porque ainda agora recebi uma mensagem: festa amanha na casa dos alemaes. porreiro...

abracos para todos, e digam qualquer coisa...

quinta-feira, novembro 24, 2005

Alunos, professores e funcionarios...

pois e... pensavam que ia escrever aqui apenas temas relacionados com festas, gajas, bubadeiras e outras coisas que tal... eu bem sei que o que o povo quer e "putas e vinho verde"...

mas pessoal aguentem os cavalos que esses temas sao mais sensiveis, e precisam de um diferente trato... de uma passagem no "Control"... porque o meu pai e capaz de vir ca dar um mico ao blog e depois ainda diz que nao vale a pena eu voltar para o pais a beira mar plantado... que ele e que vem pra ca...


por falar em control...

(calma mentes devassas, nao e o control marca de presas, e outro assunto...)

aqui volta e meia aparecem os controlers no metro e no electrico... e de rir: no metro poe-se nas saidas e quando o povo sai do comboinho e vai em direccao aos tapetes rolantes, os controlers fazem um cordao tipo cordao policial mas rasca a forca e comecam a pedir os "ticket ticket control". o que e mais fixe e que apanham sempre algum malandrote que anda a viajar a pala, e entao o malandrote ainda tenta escapar, dando uma de letra ali ao gajo ou gaja, mas acaba sempre por ficar 2000 forints mais pobre. No electrico e que e mais fixe, porque os controlers entram a paisana, e de um momento para o outro metem a bracadeira de controler e o povo comeca todo a fugir, e muitos a irem picar o bilhete nas maquinas picadoras junto a porta... o mais fixe e a cara dos controlers, que as vezes topa-se logo que sao controlers, nao sei bem porque, mas outras vezes sai cada um... uma vez apanhei uma velhota mas mesmo velhota velhinha, avozinha mesmo... a entrar com um reumatismo fodido, mas quando o comboinho arrancou e ela meteu a bracadeira ganhou logo uma pujanca e meteu uma cara de safadona... so visto!

da outra vez que eu e o amigo viana fomos para a estacao do quimboio esperar os compinchas de praga (o Miguel e o Tio Vicio) tambem apanhamos, apos a seca de 3 horas a espera de quem nao vinha (pessoal ja sabem como e a relacao entre os telemoveis e o ze vicio... simplesmente catastrofica... entao para nao variar e nao fugir a regra o moco la se enterrou todo a escrever mensagens que pareciam ter saido da codificadora "Enigma", e como nao podia deixar de ser ficou sem bateria... o resultado foi uma valente seca, uma confusao do caralho e muitos palavroes pronunciados... mas pronto, la nos encontramos com os mocos, ja ao anoitecer...) tambem apanhamos os controlers na estacao, mas estes sao os verdadeiros controlers, porque sao a moina! e mais uma vez... "passport control... control"... o viana ainda apanhou um susto, porque nao tinha o BI, mas depois la apareceu a carta de cunducao, e apos a gaja da moina por os nossos numeros de BI numa maquineta parecida com uma especie de "juncao de telemovel antigo e grande com um descacador de batatas" e o resultado ser "OK - no terrorista" demos corda aos sapatos e siga pra bingo, fomos pra casa dormir um bocado, porque ja deviamos muitas horas de sono a cama e os juros sao exageradamente fodidos... so acordamos quando finalmente os meninos de praga conseguiram estabelecer contacto com a base... e la fomos nos busca-los.


bem isto ja esta a descambar, porque quero falar e dos alunos, professores e funcionarios desta universidade... nem sei por onde comecar, sao todos umas personagens tiradinhas de revista aos quadradinhos... pessoal quem apanha com aqueles profs da feup e pensa que aquilo e mau e porque nunca viu estes... pois bem, vou comecar a falar destas personagens que sao os profs...

Tou-me a tentar lembrar de algum prof que escape a designacao de "cartoon character" e sao mesmo poucos... o simaozinho de materiais escapa na boa, o velho de steal buildings tambem escapa... a gaja de buiding escapa, embora seja uma marioneta dos alunos (falarei mais a frente dos alunos... ai ai) o Almassy, este escapa claramente, e mesmo porreiro porreiro.
mas pronto, de resto e tudo uma coboiada fodida, de rir rir rir...

olhem pessoal estou com pouco tempo porque ja estao a fechar as salas dos computadores, que aqui fecha tudo cedo pra caralho, da outra vez ate me fecharam a mim e mais uns "nossos amigos do outro lado do atlantico, os amaricanos" e tivemos k saltar o portao, alto como palmeiras, e ainda apareceu o seguranca com um cao bicharoco, para nos foder a tromba, mas pronto, la nos safamos.

como o tempo esta entao escaco como os forints na minha carteira, vou escrever apenas sobre "A Perola da Faculdade", o melhor entre os melhores, o Premio "Personagem do ano, da decada e do milenio, deste universo e arredores". os outros ficam para mais tarde, para outro poste que sera a continuacao deste. quero entao apresentar-vos, senhores e senhoras,

Paival
este home e o melhor prof que ja tive, e provavelmente terei, porque nao estou a ver maneira de ultrapassar tamanha sumidade...


O gajo comeca logo a pontuar so pela aparencia: a roupa e sempre a mesma, tipo imagem de marca. De baixo para cima, Paival veste sempre (tirando o que podera ou nao vestir como roupa interior, porque felizmente nunca vi):

Sapatilhinha da adidas, tunning fodido, parece sapatinha de quem vai fazer o jogging matinal, cheio de energia. as sapatilhas ate sao fixes, mas nao tem nada a ver com o gajo, com o que veste ou sei la... salta logo a vista

Calca de ganga, normal, sem vinco, meias sujas, meias usadas.

Camisa branca, ou de cor clara, de onde apenas se ve a gola, pois esta por baixo da fantastica...

Camisolinha de la, azul com uns motivos meios roxos ou caralho, que so visto mesmo... esta camisola da totil estilo ao homem.

o gajo usa sempre sempre esta roupa, mas o melhor ainda esta pra vir, que e o k o gajo veste de cara: o bigodinho a paival. este bigode e uma proeza do corte e costura do barbeamento, pois e uma juncao de bigodinho hitleriano com bigodao a Poirot... e tao fixe que so de me lembrar ja me parto a rir...

pronto pessoal, isto e como o gajo aparenta, so o primeiro contacto ja e fixe, ja poe alegria nas caras dos alunos... mas deixem o gajo abrir a boca e e a apoteose! a vozinha do gajo parte e louca toda. pessoal tentem imaginar um gajo com a voz meia fininha, nao muito, so um bocadinho. pronto, e esse gajo da voz um pouco fininha enrola 3 ou 4 cacetes e fuma-os todos logo ali na hora, fica com uma pedrada filha da puta e com akela voz de fumador de paiva... pois e, a voz do gajo e mesmo essa, meio fina mas com a passagem de paiva pelas cordas vocais. o gajo ta a falar e parece que esta a fuma-los, da primeira vez que o ouvi a falar ate pensei que o gajo estivesse a fumar um. Pensei eu "foda-se deixaram entrar este mendigo na faculdade e o gajo vem fumar paiva para dentro da sala de aula?!?!" Dai o nome de "Paival", que lhe assenta que nem uma luva.

pois e , mas quando um gajo fala diz coisas, nao e so para fazer barulho, tem um conteudo. e o que o gajo diz e a maneira de dizer... xi menino... e tudo a ajudar a festa...

Personagem como esta so podia ser prof de BETAO, como nao podia deixar de ser, porque estes gajos do betao tem sempre as melhores contratacoes...

Um dia ia eu e o viana, atrasados como sempre (mas nao muito) para a aula de Design of Bridges, leccionada pelo famosissimo e nosso amigo Paival. Subimos para o 8 ou 9 piso do edificio Z e mal saimos do elevador e nos dirigiamos para a sala de aula e-nos barrado o caminho. Paival numa postura de Controler do Metro. Cumprimentamos o gajo e o gajo dispara logo, com a sua vozinha magistral, que soa como musica para os meus ouvidos logo pela manha (oito e meia prai...):

"you are extremally late..."

ta bem. tamos atrasados mas o que e que esta a fazer o Paival fora da sala de aula???

"nao devias tar a dar a aula o moco", pensei eu... e la entramos na sala.
numa situacao normal, a sala encontra-se cheia de alunos. Cipriotas, na sua maioria (ai que estes gajos tambem vao dar que falar... e muito eh eh). Mas naquela manha de quarta-feira deparamo-nos com outra situacao: sala vazia, so com um gajo, todo pintarola, barbinha feita com estilo e roupinha de ir ao casamento... sera que alguem se casou e o pessoal foi todo ao casamento e este gajo veio mais cedo e aproveitou para vir de directa pas aulas?
entao o gajo abriu a boca. e gago, o moco. foda-se, agora tava no meio de duas perolas da comunicacao oral, o Paival e o iraniano...

foda-se e o cromo do Paival ainda tava a dizer que estavamos extremamente atrasados... e atao os outros? nem sequer apareceram...

o Paival disse entao que nao havia quorum minimo para dar a aula, e entao saiu, e so comecaria a dar a aula as 9 com o pessoal todo la dentro (nos seus sonhos, claro... o pessoal nunca apareceu).

entao o viana foi tomar um cappuccino, e deixou-me ali sozinho com o gago... ainda deu para rir, porque ao bazar o viana disse: "toni, entende-te ai com o PIMENTEL que eu vou la baixo tomar um cappuccino..."

foi a melhor aula de sempre. eu e o viana calados, a ver o paival na habitual sessao de malucos do riso, interrompida de tempos a tempos por uma sessao de "extreme comunication" entre paival e "pimentel"...

mas nao sao so os alunos a dar o tiro as aulas... no semestre passado ou la quando foi, esta "Perola da Faculdade", Paival, foi a aula e disse algo como: "pessoal hoje nao ha aula, porque tenho que ir buscar a minha mae ao aeroporto..."
o pessoal agradeceu, como e obvio, a mae do Paival, e foi cada um a sua vida...
o que e certo e que passado meia hora encontraram o Paival na Vaci utca (uma rua tipo Sta. Catarina, no Porto). A comer gelado... o pa onde e que ja se viu um prof espetar uma peta aos alunos para ir comer gelado? se nao queria dar a aula nao dava, agora andou a arranjar desculpas so pa ficar mal... o pa o povo agradece de qualquer maneira, e so da mais um topico para fazer chalaca do homem...

prai a 2 ou 3 semanas tive que sair da aula do gajo... nao me contive a rir, porque aquilo e mesmo uma sessao de stand up comedy... comeca o gajo a falar, a dizer "gerder" todo o tempo, ta sempre a dizer isso o homem, comeco eu a lembrar-me das muitas historias do gajo... os franceses e o grego (companheiros das aulas de mestrado) mais o viana tavam todos a conter o riso, meios descosidos a abanar por todos os lados... o iraniano (nao e o ggo, e outro, das aulas de mestrado) tava calmo e sereno, pois ja apanhou com o paival muitos anos... e eu ali no meio, com uma vontade de me rir como caralho... comeca entao o prof a contar pelos dedos e desfiz-me a rir. sai logo da sala. e para melhorar a situacao o gajo ainda me perguntou "what is the problem?" o k me fez rir como um perdido... porque so pensava "o problema e tares a dar a aula enquanto devias tar era nos malucos do riso, esse e o problema..."


pessoal tenho que bazar, mas nao se queixem que ja ficam bem aviados com o relato de tamanha sumidade, o Paival.

devia tar a trabalhar no projecto de Building, mas o computador portatil do viana ja deu o peido outra vez... ta sempre a ir co caralho, crash atras de crash... nunca tinha visto o "blue screen" tantas vezes... por isso o "ze avarias" (o viana) ta mais uma vez a tentar arranjar aquilo, mas na minha opiniao aquilo e um caso perdido... era por umas resistencias no ecra e outras no teclado e fazia-se daquilo uma torradeira. ate que dava jeito, fazia-se umas tostas mistas para o pequeno-almoco... porque ja experimentei no micro-ondas e disse mal da minha vida...

o ze avarias nao da noticias, nao aparece no messenger. calculo eu que esteja a bracos com mais um crash, e a instalar merdas atras de merdas no PC... por aquela maquina ja passaram mais anti-virus e anti-spyware do que os alunos que chumbam a disciplina de Estruturas de Betao 2 leccionada na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

bem vou a vida que tenho que comer qualquer coisa, e tenho k ver se hoje ha alguma festinha bacana, porque ontem a noite correu mal para os meus lados...

pessoal portem-se bem e idem dando NUticias

abraco

quarta-feira, novembro 23, 2005

Um pouco da universidade...

Ora aqui estou eu, pessoal, para mais uma descricao (realista, como sempre) da minha estadia em Budapest, a Cidade Puta.

tenho recebido varios pedidos para explicar o porque da classificacao de "puta" que atribui a esta cidade. pessoal, aqui entra o velho ditado chines "nao des o peixe, ensina a pescar..." (ou qualquer coisa parecida com isto); pessoal ide lendo os postes e ide tirando as devidas ilacoes... sei que nao e possivel perceber tudo, porque eu estou aqui e sinto os cheiros, o frio e o calor, as diversas situacoes desta cidade... por isso mais tarde explicarei entao algumas coisas do porque da "puta".

como estou nesta cidade ao abrigo do programa de intercambio de alunos entre universidades europeias SOCRATES/ERASMUS, tenho obrigatoriamente de falar da universidade onde estudo no momento, a Muegyetem, ou na lingua dos "nossos amigos do outro lado do atlantico" (os amaricanos), a Budapest University of Technology and Economics, ou ainda na lingua de Camoes, a Universidade Tecnica de Budapeste (sem a paneleirice do Economics, porque aqui nao se ensina economia, nao ha curso relacionado com isso, e a unica coisa em que o povo economiza por ca e o juizinho).

Entao vou comecar pelo mais importante, ou melhor, continuar, pois no ultimo poste (denominado "O Tralho") ja fiz referencia ao que de mais importante esta universidade tem: as casas de banho.

As casas de banho desta universidade estao cheias de surpresas tecnicas e seguem um novo modelo de concepcao/gestao de casa de banho. Como sou um gajo e nao entrei nas casas de banho do sexo fraco (isso foi a mais de 3 meses, quando nao sabia ler em hungaro... e escolhi a porta com a palavra que me parecia mais viril... e falhei) apenas vou falar das casas de banho para Home. as casas de banho dos meninos, para quem nao sabe, tem duas partes diferentes: uma para quem quer so mijar, outra para quem precisa de cagar.

ora no primeiro caso (so mijar) e preferivel utilizar os mijadouros, porque e mais facil de mijar contra alguma coisa do que andar a fazer pontaria para o buraco da sanita. A primeira proeza tecnica inventada pelos nossos amigos hungaros (provavalmente pelo congenere do piqueiro aqui na seccao de hidraulica) foi a "nao-bábula". para que por umas torneirinhas para se descarregar a agua quando se acaba de mijar? poe-se a agua a correr, sem parar, dia e noite, nos 7 mijadouros da casa de banho, nas 30 casas de banho da universidade, e assim ja se poupa em torneirinhas e em trabalho, porque assim nao e preciso carregar na torneira...

perguntam voces se estes gajos nao tem akeles sistemas de raios infra-vermelhos que detectam o mijador e disparam a agua apos o gajo sair do mijadouro... claro que tem! mas esta colocado numa posicao em que mal alguem passe perto da casa de banho o alarme e accionado e a agua e disparada em todos os mijadouros ao mesmo tempo... devem estar com medo que alguem mije a uma distancia de salto em comprimento olimpico, ou que o "Ze Africa" meta a piroca pela frincha da porta e mije la longe no ultimo mijadouro...enfim...

vamos agora a outra proeza da tecnologia: o sensor de movimentos. estes gajos podem nao poupar na conta da agua, mas a conta da luz nao e descuidada. para poupar uns cobres na conta da luz existem uns sensores de movimento em algumas casas de banho, que acendem a luz automaticamente quando detectam um gajo la dentro. ora isto e muito porreiro, mas os sensores estao aplicados de forma tal que se um gajo demora mais de 2 minutos a mandar a larada a luz vai co caralho e fica um gajo de calcas em baixo as escuras. sao 2 minutos para desapertar as calcas, baixar os boxers dos coracoezinhos, fazer o servico, fazer a limpeza e voltar a meter a roupinha toda no sitio. quem for um cagador lento... fode-se. e nao adianta esbracejar, gagar com mais forca ou cantar o hino do benfica, porque o sensor nao detecta o pessoal la dentro, so quando se entra. a solucao e so uma, por os oculos de visao nocturna, ou esperar que alguem entre. e o gajo que entra deve-se partir a rir, pois depara-se com um gajo a cagar as escuras...

por fim, para acabar esta conversa de merda, vou apenas referir mais um facto de uma casa de banho do edificio Z, onde estava alguem a cagar quando eu mandei o tralho.
meus caros leitores, estes gajos ainda nao descubriram o fenomeno "divisao". tem 3 cagadeiras na referida casa de banho, mas apenas 1 rolo de papel. mas 1 rolo de papel que sim senho, esta dimensionado para tal quantidade de cagadeiras, mas e so um, e esta preso a parede ca fora das retretes, a beira dos lavatorios. assim, com este rolo de papel aviam-se os gajos que estao a limpar as maos e depois as querem secar (maximo 3 ou 4) e mais os gajos que estao a cagar (maximo 3)! ou seja, um so rolo para aviar 7 pessoas num so momento! pois e, parece muito bonito, mas os gajos que estao no "trabalho sujo" tem que levar para dentro da cabine da retrete o papel higienico de ante-mao. e necessario fazer uma estimativa do papel necessario. ora ninguem quer falhar na quantidade de papel por defeito, entao e ver o pessoal a entrar com resmas e resmas de papel... e como fazer a estimativa? com base no que se comeu? pelo quantidade de papel que levam (alguns gajos parecem verdadeiras mumias, enrolados em quilometros de papel) certos individuos comeram este mundo e o outro...

pessoal estou bastante desgastado, por isso deixo para outra ocasiao outros aspectos importantes desta universidade, e desta cidade...

quero so dizer que ja comprei umas botas, para ver se as coisas comecam a correr melhor...

grande abraco a todos

terça-feira, novembro 22, 2005

O tralho

Ontem mandei um tralho fodido...

estava eu a espera de alguem (que tinha ido cagar na maravilhosa casa de banho do edificio Z da universidade de tecnologia de budapest) e como estava sozinho e carregado com 2 mochilas decidi caminhar. nao ha nada melhor do que caminhar quando se esta sem fazer nada. faz bem ao coracao, caminhar. entao pousei as mochilas num parapeito de uma janela e la comecei eu ás voltas... ás voltas, ali á volta... foi entao que comecei a pensar. nao ha nada melhor do que pensar quando se esta a caminhar. contudo, o que eu estava a pensar faz mal ao coracao.
pensamento atras de pensamento e comeco eu a ficar gelado... gelado... e todos sabem que as partes do corpo que ficam mais geladas sao as maos e os pes, por estarem longe comó caralho do figado, que é o que vai aquecendo o corpo humano (é um tipo de "aquecedor a óleo"). entao fiquei com os pés gelados, ao ponto de ganharem uma fina camada de cristais de gelo... e entao foi a desgraca. cátástrófe! tinha calcadas as minhas sapatilhas velhas, quase sem sola... lisinhas por baixo como a carteira de um estudante de erasmus...

é nesta fase que entram as afamadas leis da fisica (as leis de newton chegam e sobram para o fenomeno que vou relatar em seguida...) e algo que ainda nao consegui explicar, uma especie de nova forca... presente no Eurocodigo 1, para o dimensionamento das cargas do vento.

1) estava eu a caminhar a uma velocidade constante. bem... pensando bem, velocidade constante logo aceleracao nula! aceleracao nula logo forca nula! (F=m*a) certo?

errado! pesooal se bem se lembram eu estava a andar ás voltas! e quando se anda as voltas e preciso ter em conta a aceleracao radial... aquela forca que nos faz andar de lado nas curvas, quando estamos a andar de carro, e aproveitamos a ocasiao para expremer o outro gajo que vai ao nosso lado no banco de tras contra a porta.

estava entao eu submetido a uma forca de intensidade F=m*(V^2/R) sendo

"m" a minha massa (na altura prai uns 2000 forints)
"V" o modulo da minha velocidade (rapido como um texugo)
"R" o raio da curva que eu estava a percorrer (prai meio metro, mais metro, menos metro.)

como podem imaginar esta cena da uma forca muito grande, pra mais sendo uma forca de "chega pra lá", porque é uma forca que esta a empurrar um gajo para o lado.

2) com a camada de gelo gerada pela subita falha de aquecimento devido ao gelanco do coracao e á falha de aquecimento do figado, a forca de atrito entre Toni silva (eu) e o chao foi rapidamente levada ao valor zero. deste modo é impossivel travar, e la segui eu com a velocidade do costume.

3) com a elevada velocidade que ia, nao é de desprezar a resistencia do ar, que provoca um efeito de dificil analise cientifica (quero agardecer desde ja aos gajos do eurocodigo 1 que andaram a trabalhar nos tuneis de vento e analisar tudo e mais alguma coisa). de forma simples, o efeito que o ar provocou foi aquele efeito por todos conhecido daqueles barcos rapidos de corridas que até levantam voo... ou dos carros das 24 horas de le mains que tambem levantarm voo.

4) e pronto... levantei voo... e la segui eu por uns tempos no ar, ate me foder todo no chao... granda tralho...

bem, o melhor disto tudo foi que ninguem viu, e eu levantei-me para ver se estava tudo no sitio...
pessoal, estou bem e de boa saude, e é por isso que vos conto esta cena para voces se rirem um padaco se quiserem, e para ficarem mais contentes.

se nao se rirem nem acharem piada ao menos tomem em atencao estas leis da fisica, que nao perdoam...

... nao perdoam e ate sao vingativas... sim, porque eu acho que este tralho ja estava a pedir a muito, mas andei a fugir com o rabinho a seringa. pois é pessoal, andei na patinagem de gelo, por duas vezes, num total de 2 horas! duas horas a desafiar as velhinhas leis da fisica... a gozar com a cara do Newton, do Kepler e desses velhotes todos... do Shrödinger e esse povo todo da laia do Einstein... duas horas e sem malhar... indo devagarinho, e mais tarde ja dando alguma brita (mas sempre com uma tecnica de picador de gelo de caipirinha...) e nao malhei!

mas mais cedo ou mais tarde a factura paga-se... e eu paguei-a ali logo na hora, com juros e tudo, e sem gelo para por no corpo durido ou para meter no whisky que deveria ter bebido...

pois bem pessoal, por aki ja neva, e tenho que ir comprar umas botas, para nao cair tao facilmente...

ide dando noticias e ate louuuugo

domingo, novembro 20, 2005

O comeco...

Amigos,
Sr. Embaixador,
Sr. Engenheiro,
Sir,
Meus Senhores
e
Minhas Senhoras,

este é o primeiro poste deste novo blog que servirá, esoero eu, para uma melhor compreensao do que é ser esrudante de erasmus em Budapest, A Cidade Puta.

antes de mais quero localizar-me no tempo e no espaco:

estou no ponto de acesso a internet Marrokino, que e um tipo de internet-point, mas o gajo nao e marrokino, mas é este o seu nome.
mais tarde explicarei, se me apetecer, a razao deste nome.
sao nove e meia da noite, e ta na hora de bazar, sendo esta uma das razoes para este primeiro poste ser curto e simples, mas nao se preocupem que mais postes e postais o seguirao.

sendo um comeco simples nao significa que este va ser um blog simples, ou elaborado... isso depende da interpretacao de cada um, da capacidade do visualizador.

para dar 1 simples cheirinho do porque do titulo deste blog, vou apenas dizer que estando eu aqui acedendo a net, pacatamente e consultando as previsoes metereologicas para os proximos dias, o dono do Marrokino, mas o menos marrokino que o outro me ofereceu uma bebida espirituosa denomeinada Palinka, de estrema qualidade e de elevado teor alcoolico (52%).
onde ja se viu um gajo sair com uma garrafa de bebida espirituosa e oferecer ao cliente utilizador do servico de internet?

pois bem... vou embora antes que me oferecam leitao, arroz de marisco ou outras iguarias...

um abraco para todos